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Peter Brook, a grande atração do FILO 2008
Texto escrito para a Revista do FILO, aqui em sua versão original.
A companhia de teatro do renomado diretor inglês Peter Brook vem este ano a Londrina para a quadragésima edição do FILO. O grupo apresentará Fragments, título que reúne quatro pequenas peças e um poema de Samuel Beckett, nos dias 15, 16 e 17 de junho, esta última data com duas exibições. A notícia é uma novidade – com o perdão da redundância –, e das boas: a cidade recebe o trabalho de um dos encenadores mais importantes do teatro do século XX.
No entanto, embora com fundamentais alterações nos nomes, notícias de estrutura semelhante vêm sendo publicadas constantemente nas sucessivas edições do FILO. É só escrever “renomado diretor” ou “renomada companhia” – pronto. Resultado: centenas de aficionados por arte em geral disputamos um ingresso para ver a obra do famigerado Sr. X, ansiosos para presenciarmos um evento. Infelizmente, muitas vezes, no afã de conseguir um bilhete, mal dá tempo de saber quem é mesmo a celebridade que lá está. E ter um mínimo de informação é item básico para apreciar com a devida profundidade a obra de arte. Não adianta aparecer só pelo orgulho de fazer História e ficar boiando.
Então aqui vamos tentar entender por que Peter Brook é realmente renomado, realmente importante para a arte contemporânea e por que sua participação no FILO deste ano é realmente um privilégio para os londrinenses.
Para começar, alguns dados biográficos são indispensáveis: Brook nasceu em 1925, em Londres, em família de classe alta. Estudou nas mais famosas escolas inglesas, cursando a célebre Universidade de Oxford. Ainda universitário, demonstra pendor para o teatro, começando em pequenas produções e crescendo rapidamente no meio, como diretor e produtor. Já em fins da década de 1940 está trabalhando com a Royal Shakespeare Company, verdadeira instituição do teatro inglês.
Família tradicional, educação tradicional, país de teatro tradicional, companhia tradicional… Com tanta tradição, é evidente que o começo da carreira de Peter Brook seria marcado por um teatro convencional, conquanto de êxito e talento reconhecidos. Ainda muito jovem, Brook dirige estrelas como Laurence Olivier, Vivien Leigh e Anthony Quayle. É necessário lembrar, no entanto, que mesmo o jovem Brook já apontava em suas montagens das peças de Shakespeare para soluções ousadas – e polêmicas. Sua versão de Romeu e Julieta (1947) terminava logo após o suicídio da protagonista, omitindo a reconciliação das famílias Montéquio e Capuleto; seu Titus Andronicus (1955) estilizava a violência da trama, com passagens ultra sanguinolentas que levavam a platéia a dar gargalhadas numa peça escrita como tragédia – alguns críticos vêem aí um antecedente para a obra do cineasta Quentin Tarantino.
Mas foi mesmo na revolucionária década de 1960 que o teatro de Peter Brook também sofreu uma revolução. Nomeado co-diretor geral da Royal Shakespeare Company, pôde assegurar (e desfrutar de) maior liberdade para o grupo, que passou a encenar com mais freqüência dramaturgos contemporâneos e outros clássicos além de Shakespeare – embora tenha sido ainda com um drama do Bardo, Rei Lear (1962), que o encenador inglês imprimiu pela primeira vez uma marca radical, utilizando cenário e interpretações minimalistas; a conotação política adquirida pela peça ecoava os ensinamentos de Brecht. A partir daí, surgiria o Peter Brook que conhecemos hoje, o nome antológico do teatro e – por que não? – de toda a arte pós-moderna.
Arte pós-moderna… Teminha complicado, não? Ninguém parece chegar a um consenso sobre o seu significado. Mas seja lá o que for, nosso diretor tem papel fundamental nessa enrascada.
Se milhões de acadêmicos não conseguiram, não vai ser aqui que se chegará a uma definição fechada do que é, afinal, esse tal pós-modernismo. Alguns elementos comuns dos diferentes conceitos podem, contudo, ser apontados: por exemplo, a narrativa fragmentada, o uso constante da metalinguagem e a multiplicidade de referências. Tudo isso – e mais um pouco – aparece em Brook.
Aqui, um pouco de teoria pode ser esclarecedor. O professor Fernando Stratico, do Departamento de Música e Teatro da Universidade Estadual de Londrina, explica: “Brook é importante porque conseguiu unir, com grande qualidade, em seu trabalho, tendências do teatro da primeira metade do século XX que, embora todas importantes, são quase contraditórias, como o épico de Brecht, o evento teatral de Artaud e a disciplina de Meyerhold; além disso, compartilhou experiências de vanguarda com seu contemporâneo Grotowski”.
Tudo bem, vamos com calma para entender as referências: Bertolt Brecht (1898-1956), dramaturgo e poeta alemão, notabilizou-se por um teatro engajado, de influência marxista, propondo desvendar as relações sociais e incitar o público à ação transformadora, usando para isso a narrativa épica; o francês Antoine Artaud (1896-1948), fortemente influenciado pelo surrealismo (embora tenha sido expulso do movimento por não concordar com a filiação ao Partido Comunista), rejeitava a supremacia da palavra e trabalhava com elementos místicos em seu teatro da crueldade, onde sugeria o fim da distância entre ator e público, com todos participando ao mesmo tempo do ato teatral; Vsevolod Emilevich Meyerhold (1874-1940), foi um diretor, ator e teórico teatral russo (como o nome entrega), criador do princípio da biomecânica, segundo a qual, no teatro, o trabalho corporal supera a literatura, a montagem de palco é antinaturalista e o corpo dos atores é mais uma ferramenta, um objeto de cena; por fim, Jerzy Grotowski (1933-1999), diretor polonês, criou o conceito de teatro pobre, pelo qual figurinos, iluminação e cenários são supérfluos, pois a força de representação vem da busca espiritual – uma atuação às raias da transcendência –, que resulta em crescimento tanto dos atores quanto da platéia.
Juntar a política de Brecht, o misticismo de Artaud, o mecanicismo de Meyerhold, o ritualismo de Grotowski e ainda acrescentar cunho autoral não é tarefa para qualquer um: da habilidade com que cumpriu a tarefa vem a importância de Peter Brook.
O ponto de virada de sua carreira é a montagem, ainda pela Royal Shakespeare Company, de Marat/Sade (1964), texto de Peter Weiss, na qual pela primeira vez coloca em prática o amálgama de influências que o caracterizou para a posteridade. Ambientada em 1808, dentro de um hospício, a trama usa a metalinguagem: a peça exibe o Marquês de Sade dirigindo outra peça, que narra o assassinato do líder da Revolução Francesa, tendo como atores os internos do sanatório. Os previsíveis desdobramentos insólitos do enredo são desenvolvidos ricamente por Brook, que deu a Marat/Sade conotação política, mas distante do panfletarismo, por explorar também a psique, as nuances do trabalho corporal e o choque da aproximação com o público. “A revelação, tanto a pessoal quanto a social, é um conceito fundamental para entender o teatro de Peter Brook, e uma busca constante em sua obra”, afirma Stratico.
Posteriormente, a peça seria adaptada para cinema, com direção do próprio Peter Brook. Sim, além de homem do teatro, ele é cineasta – geralmente levando às telas versões de suas peças –, diretor de óperas e literato. As frases iniciais de seu livro The Empty Space (1968), hoje um clássico, são fundamentais para entender seu trabalho: “Eu posso pegar qualquer espaço vazio e chamá-lo de palco nu. Um homem caminha por esse espaço vazio enquanto outra pessoa lhe assiste, e isso é tudo que preciso para um ato teatral acontecer”.
Em 1971, Brook se transfere de Londres para Paris, onde funda seu Centro Internacional de Criação Teatral, companhia que dirige até hoje. Em seu próprio grupo, o diretor se consagra definitivamente como figura de proa da vanguarda e demonstra liberdade para desenvolver mais uma faceta marcante em seu trabalho e no pós-modernismo de modo geral: o multiculturalismo. Embora tenha sede européia fixa – o Théatre des Bouffes du Nord, desde 1974 – o CICT (abreviatura pela qual é conhecida a companhia de Brook) faz questão de trabalhar com atores das mais diferentes nacionalidades, além de pesquisar elementos do teatro das mais várias épocas e regiões do globo. Passaram a ser constantes brookianas um ator representando vários personagens e ousadias como um Hamlet negro ou uma família hinduísta com japoneses, árabes, africanos e quantas mais etnias pôde reunir – tudo para alegorizar a universalidade.
Logo em sua primeira peça, o CICT já demonstrou sua originalidade: Orghast (1971), com estréia no Irã e altamente influenciada pelo antigo teatro taziyeh do país, era inteiramente encenada sem uma palavra inteligível, apenas com onomatopéias e sons guturais. Outras peças do grupo também marcaram época: com Conference of The Birds (1979), adaptação livre de um livro de poemas persa medieval, a companhia viajou por regiões selvagens da África, apresentando-se em tribos com as quais não tinha língua nem referências culturais comuns – foi necessário buscar formas novas de interação e criação conjuntas; em Mahabharata (1985), foi recriado o livro sagrado do hinduísmo – 15 vezes maior do que a Bíblia – resultando numa peça de nove horas de duração.
Tamanha ousadia não passou incólume. Para alguns críticos, o multiculturalismo de Brook seria, na verdade, uma banalização de tradições e crenças de regiões subdesenvolvidas: numa visão “de cima para baixo”, o diretor se apropriaria de elementos culturais tidos como exóticos e depois retornaria à velha Europa, deixando à míngua aqueles a quem usou. Um grande artista, afinal, não existe sem causar polêmicas e controvérsias. Ademais, depois de Mahabharata, Brook retornou a um teatro mais convencional, embora nunca simplista.
Com tudo isso, é mesmo uma pena que os ingressos para sua peça no FILO sejam limitados: quando está tão perto, todos deveriam ter a chance de ver o trabalho de um artista fundamental. Por quê? O professor Stratico atesta: “Peter Brook nos influencia na constante experimentação, na busca de um teatro que não é mero entretenimento. Ao mesmo tempo em que gravou seu nome no século XX, marca as tendências do século XXI. Brook é contemporâneo e é histórico”.
BOX
Peça reúne dois grandes do teatro moderno
Direção de Peter Brook, uma das figuras máximas do teatro de vanguarda; texto de Samuel Beckett, um dos maiores dramaturgos do século XX, o homem do Teatro do Absurdo, o autor de Esperando Godot.
É essa a reunião que oferece Fragments, montagem do CICT que, em turnê internacional, passa pelo Brasil para apresentações em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e em nossa Londrina, dentro da programação do FILO. Brook não acompanhará a representação de sua montagem por aqui, mas será representado por Marie Hélène Estienne, seu braço direito, assistente de todas as peças do grupo desde 1977.
Para realizar Fragments, o diretor inglês ligou em um só ato quatro pequenas peças de Beckett (Rough for Theatre I, Rockaby, Act Without Words II e Come and go) e um poema (Neither). O resultado foi altamente elogiado pela imprensa especializada mundial, por conseguir harmonizar a grandiloqüência de Beckett com o minimalismo de Brook. Com um elenco de apenas três atores e o famoso “palco nu”, numa ação total de aproximadamente apenas uma hora – abrindo mão de todos os adornos, enfim, o diretor consegue exponencializar a densidade do texto (que, falado em inglês, contará com legendas nas apresentações brasileiras, para alívio dos monoglotas). Não se sabe se Beckett aprovaria uma montagem tão crua de seu trabalho, mas a inovação resulta altamente satisfatória; ademais, Brook deve se sentir no direito de tomar certas liberdades, pois era amigo pessoal do dramaturgo irlandês.
Fragments é a quarta montagem do CICT em terras brasileiras (as outras foram O Terno, em 2000, Hamlet, em 2002, e Tierno Bokar, em 2004). A apresentação em Londrina é a primeira encenação da companhia de Brook, no Brasil, fora das capitais. Um raro privilégio.
Natal
Nasceu, há algumas horas, um menino. Longe, do outro lado do globo, “a muitas léguas daqui”, como estaria escrito nas antigas fábulas. Desse bebê remoto, desconheço as feições, as circunstâncias da vinda ao mundo, nem sequer sei seu nome; pouco ou nada posso falar de sua mãe, muito menos do pai.
Foi ontem, 8 de abril, mesmo dia do nascimento de Edmund Husserl, John Fante e Kofi Annan. Talvez seja mais impressionante saber que nessa data morreram Nijinski e Picasso, dois grandes nomes da arte do século XX. Evidente, não sabia desses fatos, pesquisei, provavelmente um dia o menino fará o mesmo, as pessoas gostam de saber sobre eventos históricos em seus aniversários. Ele pensará no século XX sempre como um intangível passado – não é estranho? Pelo menos para mim… É, sei muito pouco sobre o garoto.
No entanto, afeta-me por ele uma grande ternura, quase inexplicável. Quero-lhe muito bem. Que viva feliz e inspire felicidade a todos a sua volta, cresça honesto, sensível, bem-humorado, bonito e espontâneo. Poderia também gostar de Beach Boys e Woody Allen, mas talvez isso seja pedir demais, talvez não seja tão importante – bem, é importante, mas secundário.
O bebê tem roupinhas azuis – o homem, o que terá? A criança motiva telefonemas, deslocamentos, esperanças e projeções – o adulto, quais seus interesses, o que e a quem motivará? Ele agora é puro, a pureza inconteste dos recém-nascidos – como as máculas o transformarão? É um mistério, mistério tão belo quanto a vida. Gostaria de chegar a descobrir algumas respostas.
Talvez nunca venha a vê-lo, seria lamentável. Não apenas pelo fato triste o bastante de não travar relações, papear com o rapaz, aprender-lhe os gostos e desgostos, mas também porque não conhecê-lo seria índice de um sonho irrealizado. Nesse caso, é bastante provável que o garoto jamais ouça falar de minha infame pessoa, meu nome um completo vazio de significado. Não importa: sempre me lembrarei de seu nascimento. E a cada 8 de abril, a meu modo, hei de lhe dedicar uma oração.
Resoluções para abril
Tenho de renovar minha carteira de motorista, tenho de cortar meu cabelo, providenciar algumas calças agora que engordei, retirar papéis velhos das minhas gavetas – deixei passar o fim de ano e não fiz a tradicional faxina. Decorar as harmonias do João Gilberto para apresentar à sogra, comprar filmes Fuji ISO 100 para a velha Nikon Fm10, o Flávio me vendeu por R$ 710 e o Prof. Dr. Paulo Boni me assegurou que era um bom negócio. Sabe o que queria?, visitar a Jana no Rio, visitar a Amanda em São Paulo, ver a Marcela em BH. Pena não ter mais nenhum conhecido em Florianópolis.
Pretendo ser mais compreensivo com o Marcos, o escroto do namorado da minha irmã, ele deve ter merda na cabeça. Seria lindo um dia sair dirigindo, sem saber exatamente para onde, e quando acabasse a gasolina – ou o álcool –, encher novamente o tanque e voltar. Seria lindo conhecer Bora Bora, mas eu não tenho dinheiro para tanto, seria lindo conhecer qualquer coisa, seria lindo conhecer Guarapuava, a maior cidade do Paraná em área.
Queria uma casa no campo, onde não precisasse compor nada, nada, muito menos “rocks rurais”, e pudesse esquecer de todos os amigos, do peito, da barriga, do braço ou do rabo. Ser menos agressivo, e descontar as frustrações e recalques em forma de arte. Escrever o roteiro de um filme, e que ele fosse premiado, sem PROMIC ou Rouanet. Morar com a mulher amada e praticar o ato sexual todos os dias, até enjoar: melhor, nunca enjoar.
Disponibilizar o céu para todos, estupradores, genocidas, torturadores, canibais. Dançar ciranda com Mengele, Pinochet, Gandhi, Freddie Mercury e Madre Teresa de Calcutá, todos numa nuvem fofa. Convencer Alex Atala da qualidade de meu omelete, convencer Dori Caymmi da beleza de “Surfin’ USA”, em seus três acordes.
Fazer mais versões sertanejas, com letras de corno, para melodias eruditas – a do Noturno Op.9 Nº2, de Chopin, está pronta. Tomar, finalmente, um café com a Samantha Calijuri, ainda que eu não beba café. Travar conhecimento com o dono da Kibon, resultando numa amizade tão profunda a ponto de me fornecer, de graça, em caráter vitalício e ilimitado, o magnífico sorvete de flocos.
Seu sorriso
Longe vai o dia em que admirei, pela primeira vez, seu sorriso. Numa perspectiva objetiva, é claro, faz muito pouco, um qualquer veria exagero de minha parte. Mas o tempo é o de cada um, não é?, e tamanha foi a impressão em mim causada, e tantas foram as histórias desde então – historinhas deliciosas, embora nem sempre felizes, nossas, dentro da grande História do mundo –, que a mim parece ter sido há eras, um marco definidor, o dia do feitiço, do qual ainda não consegui me livrar, nem sei se quero, do bem ou do mal.
Isto pode parecer indelicado, mas o vício da sinceridade – que, estranho, só aparece com você – me leva a confessar: não lembro exatamente da primeira vez, da primeira apresentação, nobre e exclusiva, só para este sortudo, do seu sorriso. Seja lá como for, desde então sua aura me acompanha, e me encoraja, e me leva a lutar, até a me violentar, para ser digno de merecê-lo. E vale a pena, pois seu sorriso é redentor, redenção e carícia, de bálsamo um baú.
Lá está, em seu sorriso, um pouco da essência misteriosa também presente na dança de Fred Astaire, nas bailarinas de Degas, nos closes de Bergman, no falsete de Brian Wilson, nos sonetos de Vinicius, nos templos de Gaudí, nas tragédias de Shakesperare. De onde vem? Quem a criou? Deus? Como indentificá-la e descrevê-la? Só resta admirar e crer no mistério. Um pouco do lugar-comum: é química, é mágica [sic].
Idéia, no conceito de Platão. Um suspiro: ai…
Aparece, junto com seu sorriso, de maneira involuntária, acho, uma contração ligeira de ombros, é tão bonito! É um gesto tímido, há pudor nesse movimento, o recato necessário à beleza de toda mulher – permita-me ser um pouco machista aqui, mas no geral você é mais do que eu. E esse recato necessário também necessita ser sublimado em momentos-chave: você sabe, domina essa arte, porque é mulher, linda, plena.
No momento preciso de seu sorriso, você remoça dez anos, é uma criança, desarma-se. E veja que bela contradição: nunca ninguém foi tão forte ao se desarmar, mostrando-se superior e impávida, pronta aos desafios que a vida traz.
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