As cem maiores canções da música brasileira

Todo mundo se diverte quando topa com uma lista de cem-melhores-qualquer-coisa. Diverte-se, mas também se irrita – nunca vi ninguém apreciar uma dessas relações sem proferir impropérios desqualificando as mães dos autores. Para poder conjugar a diversão e a ausência de irritação, resolvi organizar minha própria lista (das cem maiores canções da música brasileira, no caso), escolhendo como votantes apenas fontes ilibadas, confiáveis e indiscutíveis: minhas auto-suficientes opiniões.

Na elaboração do rol de canções, vali-me de critérios muito particulares, tão particulares que nem eu sei bem quais são. Uma mistura de relevância histórica, proporcionalidade entre compositores, divisão de épocas, sofisticação e estima pessoal com largas pitadas de incoerência.

Canções que geralmente costumam figurar em listas correlatas foram deixadas de fora, como “Rosa”, de Pixinguinha e Otávio de Souza (acho tanto a melodia quanto a letra muito rococós), ou “Aquarela do Brasil” (essa, mesmo com toda a fama e glória, acho chata, que posso fazer?, não iria mentir). Também não foi por esquecimento a omissão de “Águas de Março”, “Chega de Saudade”, “Garota de Ipanema”, “Desafinado”, “Samba de Uma Nota Só”, “Corcovado” e “Samba do avião”. Apenas acho que o Tom Jobim tem canções muito melhores do que essas mais famosas.

Noto eu mesmo uma ausência espantosa: não há nada aqui do Tim Maia, músico de importância e originalidade inegáveis, grande cantor, excelente no conjunto da obra, mas que, em minha opinião, não conseguiu legar uma canção distinguível como obra-prima. Qual então? “Azul da cor do mar”? “Você”? Alguma das doidonas do álbum Racional? Não me parece suficiente.

Bem, deixemos de explicações e vamos à lista, disposta com as canções em ordem alfabética:

Acalanto, de Dorival Caymmi
Amor em paz, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Asa branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
Atrás da porta, de Francis Hime e Chico Buarque
Balada do louco, de Arnaldo Baptista e Rita Lee
Beatriz, de Edu Lobo e Chico Buarque
O bêbado e a equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc
O bem do mar, de Dorival Caymmi
Boas festas, de Assis Valente
Brasil pandeiro, de Assis Valente
Canção do amanhecer, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes
Canto triste, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes
Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro
Castigo, de Dolores Duran
Chão de estrelas, de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas
Choro bandido, de Edu Lobo e Chico Buarque
Clara Crocodilo, de Arrigo Barnabé e Mario Cortes
Codinome beija-flor, de Cazuza, Reinaldo Arias e Ezequiel Neves
Coisa mais linda, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes
Começar de novo, de Ivan Lins e Victor Martins
Comida, de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto
Como uma onda, de Lulu Santos e Nelson Motta
Construção, de Chico Buarque
Copacabana, de João de Barro e Alberto Ribeiro
Coração Vagabundo, de Caetano Veloso
Correnteza, de Tom Jobim e Luiz Bonfá
Derradeira primavera, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Desde que o samba é samba, de Caetano Veloso
Detalhes, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos
Dindi, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira
Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros
Domingo no parque, de Gilberto Gil
Dora, de Dorival Caymmi
Eu e a brisa, de Johnny Alf
Eu não existo sem você, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Eu sei que vou te amar, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Eu te amo, de Tom Jobim e Chico Buarque
Falando de amor, de Tom Jobim
Feitio de oração, de Noel Rosa e Vadico
A felicidade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes
A flor e o espinho, de Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha
Foi um rio que passou na minha vida, de Paulinho da Viola
Gabriela, de Tom Jobim
Geléia geral, de Gilberto Gil e Torquato Neto
História de pescadores, de Dorival Caymmi
Índios, de Renato Russo
Insensatez, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Inútil, de Roger Moreira
Luiza, de Tom Jobim
Maior abandonado, de Frejat e Cazuza
Manhã de carnaval, de Luiz Bonfá e Antônio Maria
O mar, de Dorival Caymmi
Marcha da quarta-feira de cinzas, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes
Maria Maria, de Milton Nascimento e Fernando Brant
Matita Perê, de Tom Jobim e Paulo Cesar Pinheiro
Minha namorada, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes
Miséria, de Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Paulo Miklos
O mundo é um moinho, de Cartola
A noite do meu bem, de Dolores Duran
Nunca, de Lupicínio Rodrigues
Oceano, de Djavan
Olha Maria, de Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Chico Buarque
Olhos nos olhos, de Chico Buarque
Pais e Filhos, de Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá
Panis et circenses, de Caetano Veloso e Gilberto Gil
A paz, de João Donato e Gilberto Gil
País tropical, de Jorge Ben
Pedaço de mim, de Chico Buarque
Pérola negra, de Luiz Melodia
Por causa de você, de Tom Jobim e Dolores Duran
Pra machucar meu coração, de Ary Barroso
Primavera, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes
Quase um segundo, de Herbert Vianna
O que será (à flor da pele), de Chico Buarque
O quereres, de Caetano Veloso
Qui nem jiló, de Luiz Gonzaga e Humerto Teixeira
Refém da Solidão, de Baden Powell e Paulo Cesar Pinheiro
Retrato em branco e preto, de Tom Jobim e Chico Buarque
Rosa de Hiroxima, de Gerson Conrad e Vinicius de Moraes
As rosas não falam, de Cartola
Samba da bênção, de Baden Powell e Vinicius de Moraes
Samba da minha terra, de Dorival Caymmi
Samba em prelúdio, de Baden Powell e Vinicius de Moraes
Sampa, de Caetano Veloso
San Vicente, de Milton Nascimento e Fernando Brant
Sandália de prata, de Ary Barroso
Sangue latino, de João Ricardo e Paulinho Mendonça
Saudades de Itapoã, de Dorival Caymmi
Se eu quiser falar com Deus, de Gilberto Gil
Se todos fossem iguais a você, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Sem fantasia, de Chico Buarque
Sentinela, de Milton Nascimento e Fernando Brant
Só louco, de Dorival Caymmi
Todo o sentimento, de Cristóvão Bastos e Chico Buarque
Trem das onze, de Adoniran Barbosa
O trem das sete, de Raul Seixas
Tristeza, de Haroldo Lobo e Niltinho
Tropicália, de Caetano Veloso
Último desejo, de Noel Rosa
Você já foi à Bahia?, de Dorival Caymmi

13 comentários até agora

  1. Marcela Ortolan on

    Bom te ver postando novamente.
    Bom te ler falando de música.

    Bom te ler falando das melhores. Alias, ótimo.

    Nem todas eu conheço (o que torna o post ainda mais interessante)

    Deve ter dado trabalho, hein?

    Um abraço

  2. Daniro on

    bachianas n5 nem pensar?
    Amanhecer na palhoça, de Walter di Souza…
    Miel y sangre, de Alexandre Jerônimo.
    Preludio em dó médio, por José Geraldo Zaparolli.
    e feelings?

    ´só metendo o bedelho…

  3. bruno rizzi on

    Sem Secos? Sem novos Baianos? Sem os Incriveis? Vc é um filho de uma puta!!

    Recebeu meu email?

  4. andresimoes on

    Danilo: as bachianas, sejam lá de que número, não são canções. Logo, fogem ao propósito da lista. Quanto à produção musical da Morada do Sol, realmente foi negligenciada. Perdão.

    Bruno: Sangue Latino e Rosa de Hiroxima são canções dos Secos e Molhados e estão na minha lista. Procure melhor. Quanto aos Novos Baianos, creio que o grupo, como intérpretes, e os álbuns (notoriamente Acabou Chorare) se destacam mais do que uma canção específica. Ainda assim, se não entrou nenhuma canção própria dos Novos Baianos, entrou Brasil Pandeiro, que ganhou versão definitiva com eles. Assim eles estão mais ou menos representados.
    E que negócio é esse de Os Incríveis?

  5. Julia Cleto on

    Faço coro com a Marcela. Maravilhoso te ver postando de novo, ainda mais um assunto tão bacana quanto boa música.

    Só faltou aquela, mas a falta é mais afetiva do que por conta do mérito da obra em si.

    Beijos,

  6. boneco on

    Faz um Top 5 dessas músicas aí, faz.
    Tu não é o fodão?!

  7. boneco on

    “Amigo Fura Olho” ?????

    Que Deus te perdoe, eu não vou perdoar
    Em momento algum se pôs no meu lugar

  8. Marcela Ortolan on

    Dando mais uma olhada na lista, percebi que a maioria das canções tem um que de tristeza ou melancolia (seja na letra, na interpretação ou no tempo da música).

    Uma bela lista, e que precisa de sensibilidade para ser apreciada.

    um abraço

  9. Alexandre on

    Já estou preparando o cd para irmos tomar café em alguma cidade remota!

  10. Rejane on

    Sambas da minha terra, música do nosso povo. Nossa cultura e nossa realidade em dançar descalços sobre a própria melancolia estão representadas nesta lista. bom, bom, bom!

  11. Eduardo Silveira on

    Bem… umm comentario tardio…mas, creio, válido
    Parabéns pela postagem.De fato, ficou bem mais decente do que a lista da Bravo!
    Mas… os velhos pitacos sempre existem.
    A lista tá ótima.
    Mas acho que poderia ter uma vaguinha para Zé Ramalho.. merecia, pelo menos uma.
    E olha… o Belchio tbém…uma…dava pra encaixar.
    Ah! Trem das Sete é linda…mas fico na dúvida: ouro de tolo ou trem da sete? Qual?

    Bem, era isso.
    Bom trabalho

  12. igor medeiros on

    Cade as 100 listadas pela revista??

  13. Leandro Hollanda on

    Adooooooooooooooooooooooooorei a lista!!!


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