Pecados e pecadilhos

As habilidades humanas variam de pessoa a pessoa: o que para alguns é fácil para outros é uma pedreira. Com tanta e tamanha diversidade em nossa atroz espécie, difícil achar consenso. Um dos raros casos de unanimidade diz respeito ao pecado. É realmente moleza. Nem bem você percebe, já está pecando. E se o pecado mora ao lado, os pecadilhos então, ah!, esses são honrosos hóspedes.

Todo mundo tem seu pecadilho favorito. Pecadilho é aquilo que faz até Sua Santidade Bento XVI dar uma risadinha ante a idéia de cometê-lo. Não manda ninguém para o inferno – no máximo alguns dias a mais no purgatório.

Particularmente, gosto de ouvir as conversas alheias. Calma, deixem-me explicar, não é o caso de pecado grave. Afirmo com segurança que jamais escutaria atrás de portas conversas que não me dizem respeito; tampouco seria capaz de ouvir telefonemas alheios em extensão, mesmo quando dois atendem ao mesmo tempo eu desligo rápido e nem curioso fico, garanto; não bisbilhoto gavetas, não remexo papéis antigos e tenho tanto respeito pela privacidade do próximo quanto zelo pela minha.

Feita a minha defesa prévia, vou confessar que é uma delícia quando, por acaso, geralmente com desconhecidos, você pega uma frase solta no ar, descontextualizada. Assim, cruzando a rua e você escuta um pai falando pra filha, “Por que você não é como seu irmão?”. Ou então, no ônibus, o rapaz confessando para a namorada, “Hoje vai ser foda agüentar seu velho enchendo o saco”. Mal posso conter o sorriso em casos assim.

A beleza está em imaginar o desenrolar da situação, devanear em cima, roteirizar os diálogos complementares, provavelmente mais saborosos do que os reais – não importa. Serve de estopim a fotografia do cotidiano, espontânea como todas as boas fotografias. E que se releve o pecadilho. Afinal, todo mundo também já deu de presente a um desconhecido uma frase bombástica para apreciação, é justo que se possa desfrutar do prazer sem culpas quando a dádiva chega imprevista. Pecadilhos trocados se anulam.

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Um comentário sobre “Pecados e pecadilhos

  1. lembro quando andando pela uel escutei
    “aos 18 anos eu fugi de casa, mas fugi com o celular e minha mãe me ligou e me convenseu a voltar…”
    não so naum pude
    conter o riso, como tive que olhar pra tras
    mal viro a cabeça e ela me vira
    “oi fofaun.. quanto tempo..”
    justamente a garota mais tosca de todo o meu colegial…

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