Considerações rabugentas

De vez em quando, ainda teimam em me chamar para festas. Difícil. Pior é quando, na tentativa de tornar o convite mais atraente, dizem de passagem que o lugar tá “bombando” com “músicos, atores, artistas plásticos, cineastas, jornalistas” etc. Desculpem-me o habitual tom ranzinza, mas qual a vantagem? Essa cambada de vagabundos sempre está na rua enchendo a cara, sem precisar de pretextos. Ter uma festa bombando com tipos assim não significa nada. Ficaria impressionado se me dissessem que há um novo bar que vem lotando todas as noites com contadores, bancários e auxilares de escritório – aí eu sentiria credibilidade. E se descobrirem a festa da moda entre despachantes, por favor, chamem-me logo que eu vou correndo.

 

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Se formos tomar como amostragem as publicações da crítica jornalística brasileira, os Ramones são o apogeu artístico da civilização. Nos cadernos de cultura da vida, é mais fácil encontrar relativizações dos méritos das missas de Bach, do teatro de Shakespeare, das esculturas de Michelangelo, dos contos de Tolstói e dos girassóis do Van Gogh do que achar vivalma que ouse colocar um senãozinho nos três acordes dos rapazes. Dá o que pensar.

 

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Não entendo como há homens avançados na idade adulta que demonstram orgulho ao compartilhar seus reais ou ilusórios feitos com mulheres virgens. Eu nunca sei como me portar como audiência, é tão desinteressante! Admitindo que faça sentido gabar-se publicamente por feitos sexuais – uma assunção duvidosa, no mínimo –, qual o ponto de contar vantagem por ter feito isto ou aquilo, por ter levado a este ou àquele lugar uma pessoa absolutamente sem perspectivas no mérito, privada de qualquer base de comparação?

Como eu queria ter a capacidade de criar – e acreditar em – truques para elevar minha autoestima tão facilmente assim. Como não tenho, também me liberto da tarefa de ter paciência para com essas almas carentes: meu amigo, no dia em que você vier me relatar como revolucionou o entendimento sexual de uma mulher que passou por quatro partos normais, terá toda a minha atenção.

 

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Eu tenho medo da solidão, de altura, de agulhas e de releituras contemporâneas.

 

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Aguardem minha piada sobre Nuno Leal Maia, Olavo de Carvalho, Guilherme Arantes e um aspargo feminista se encontrando no Jassa Cabeleireiros.

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